Imune?

AVISO: Este post é um grande exagero.


Geralmente sou “do contra”. Principalmente nos finais de ano, no natal e nessas paradas todas, me sinto meio enojado com a importância que as pessoas dão a símbolos bestas e algumas vezes até canalhas. Meu natal foi pizza com fanta uva, como talvez alguns já saibam. Talvez nem tanto por opção, mas confesso que senti um certo orgulho em brindar a mim mesmo com um copo de fanta uva em uma casa sem árvore de natal. Senti-me imune às investidas canalhas. Até que hoje faltou luz.

Não entendam com meu “faltou luz” aquelas quedas de energia que um segundo depois acabam, onde o único problema é ter que ligar o computador de novo. Foi uma senhora falta de luz. Talvez daqui a uns dias eu apenas a chame de “falta de luz”, mas hoje ainda acho que foi uma senhora falta de luz.

Adoraria contar as circunstâncias de quando aconteceu, mas não quero. Foi algo como um trovão um pouco depois do almoço. Nem me lembro do que comi, só lembro das duzentas décadas que se seguiram nas quais eu vivi como se vivia a duzentas décadas atrás. A tarde ainda foi bem arcadista, como normalmente são os primeiros momentos depois de uma queda de energia. “Antigamente viviam assim”, “até que não é tão ruim”, “nunca vi minha casa tão silenciosa”, pensamos coisas assim. Depois vem a noite. Ah, a noite...

Ler é impossível sem a ajuda de uma lanterna ou de uma luz mórbida de uma vela. A bateria dos aparelhos já foi embora. A geladeira começa a cheirar mal. Olho pela janela e vejo que só minha rua está sem energia. Não muito longe vejo um prédio com suas luzes coloridas natalinas piscando para zombar de mim. Sinto meu corpo mofar. Acendo uma fogueira. Faço um miojo. De calabresa, meu favorito. Até que (meia hora atrás) ouço um som bendito.

Os aparelhos se ligaram novamente! Ah, os aparelhos, o telefone, a luz! E ali estou eu, o “do contra”, olhando para a lâmpada acesa como os egípcios olhavam para seu deus sol Ra.

6 Knockchamps:

Talita do Vale disse...

Quando criança nas "senhora falta de luz" eu pegava a vela e ficava analisando o foguinho, queimando fios de cabelo.

Sem falar de passar o dedo rápido e dizer que não me queimava.

Quando voltava a luz... achava sem graça.

ps: naquela época eu não tinha computador

Rac'Meg Uvymer disse...

Eu também, e quando meu irmão mais velho reclamava, eu não entendia.

!Theo disse...

É. Eu to ausente.

Nilce Silva disse...

eu adoro natal ou "coisas bestas".

Estella disse...

po, pelo menos poderia ter sido coca-cola.

Estella disse...

(brisa)

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