
Uma cena meio besta, talvez:
Tinha uma pedra no meio do caminho dela. No meio do caminho dela tinha uma pedra. Ele, um miserável, tirou a pedra de lá.
O que o motivava quando fez isso?
“Ora, a presença da pedra ali iria atrapalhar a passagem dela.”
Então por que não fazia isso quando ela estivesse olhando, para assim ganhar os louros da boa ação?
“Sei da aparência que tenho. Sou miserável, e em mim não há nada que agrade um olhar. Boa ação ou não, a falta de beleza seria meu carrasco, e em vez de louros, ganharia os leões.” Foi o que ele respondeu para si mesmo, mas as perguntas não paravam.
Ninguém veria sua ação. Mais que isso, ela não a veria. Ela passaria pelo caminho sem nem imaginar que ali havia um obstáculo, e que este foi retirado por alguém. Um alguém anônimo. Um anônimo que lhe tinha em alto preço.
E se ele apenas deixasse a pedra do lugar? Logo a removeriam, e a vida continuaria.
“Mas”, replicou ele, “e se ela vier a se fatigar durante a remoção do obstáculo; onde iria enxugar seu suor, nas minhas vestes empoeiradas? Pois como posso evitar essas gotas de enfado, se não o fizer, terei que pagá-las. E se, ainda pior, por causa da pedra, viesse a ocorrer alguma tragédia, e ela perdesse a luz de seus olhos; onde iria se consolar, nos meus ombros ossudos?”
Mas ela devia ter outras mãos para lhe auxiliarem, outras vestes que lhe enxugassem e pagassem seu o suor, e ainda outros ombros para deitar a cabeça, e não precisaria dos dele.
Então, calado e sem testemunhas, ele deixa a cena, que mesmo sem possíveis enfados, nem possíveis tragédias, não deixa de ser um tanto cruel.
5 Knockchamps:
Alguns já conhecem. Alguns não se lembram. Alguns só ouviram. Alguns nunca leram.
huum.
algumas pessoas comentarão mehor do que eu..
Nessa crise, creio que isso é impossível.
Você não quer acreditar meu bom amigo :D
mas isso é tão normal!
um cavaleiro marginal, banhado em ribeirão...
Déjà vu.
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